terça-feira, agosto 31, 2010

Dois domínios diferentes – M. Lloyd-Jones

Dois domínios diferentes
- M. Lloyd-Jones -
O cristão e o não-cristão pertencem a dois domínios inteiramente diversos. . . a primeira coisa que você deve entender sobre si mesmo é que você pertence a um reino diferente. Você não difere apenas na essência; você vive, em dois mundos que diferem de modo absoluto entre si. Você está neste mundo; não pertence a ele, porém. . . você é cidadão doutro reino. . .

Que se quer dizer com este reino dos céus?. . . Significa, em sua essência, o governo de Cristo, ou a esfera e domínio em que Ele reina. . . Muitas vezes, quando Ele estava aqui, nos dias de Sua carne, nosso Senhor disse que o reino dos céus já estava presente. Onde quer que Ele estivesse presente e exercesse autoridade, ali estava o reino dos céus. Você recorda como, em certa ocasião, quando O acusaram de expulsar demônios pelo poder de Belzebu, Ele demonstrou-Ihes a completa loucura disso, e prosseguiu, dizendo: «Se, porém, eu expulso os demônios pelo Espírito de Deus, certamente é chegado o reino de Deus sobre vós» (Mateus 12.28). Eis o reino de Deus. Sua autoridade e Seu reinado estavam presentes na prática. Eis, então, Sua frase, quando disse aos fariseus:«O reino de Deus está dentro em vós», ou, «o reino de Deus está entre vós».

Era como se dissesse: «Ele está-se manifestando no meio de vós. Não digais: olhe para cá, ou: olhe para lá. Despojai-vos dessa noção materialista. Aqui estou entre vós; estou realizando obras. O reino está aqui». Onde quer que o reino de Cristo esteja sendo manifestado, ali está o reino de Deus. E quando Ele enviou Seus discípulos para pregar, disse-lhes que falassem às cidades que não os recebessem: «Não obstante, sabei que está próximo o reino de Deus» (Lucas 10.11).

Studies in the Sermon on the Mount, i, p. 39,40

Um Evangelho honesto – M. Lloyd-Jones

UM  EVANGELHO  HONESTO 
- M. Lloyd-Jones  - 
(A vida cristã) não é vida que no início seja lindamente ampla e que, à medida em que você prossegue, vá ficando cada vez mais estreita. Não! Já desde o portal, no próprio caminho de entrada a essa vida, há vereda estreita. . .

Muitíssimas vezes tem-se a impressão de que ser cristão é, afinal, bem pouco diferente de não ser cristão, de que você não precisa pensar no cristianismo como uma vida estreita, mas como algo atraente, maravilhoso e emocionante, e de que entramos ali formando multidões. Isso não está de acordo com nosso Senhor.

O Evangelho de Jesus Cristo é por demais honesto, para ficar dirigindo convites dessa natureza às pessoas. Ele não tenta persuadir-nos de que se trata de algo fácil, sendo que só mais tarde começaremos a descobrir quão difícil é realmente. O Evangelho de Jesus Cristo apresenta-se franca e incondicionalmente como algo que começa com uma entrada estreita, com uma porta estreita. . .

É-nos dito logo no início deste caminho da vida, antes de começarmos a marcha, que se queremos percorrê-lo há certas coisas que terão de ser deixadas de lado, para trás de nós. Não há espaço para elas passarem, porque temos que começar entrando por uma porta estreita e apertada. Gosto de imaginá-la como um torniquete. A porta é bem parecida com um torniquete que admite uma pessoa por vez, e somente uma. E é tão estreita que há certas coisas que você simplesmente não pode levar com você. Desde o começo o caminho é exclusivo, e importa que examinemos o Sermão da Montanha para vermos algumas coisas que é preciso deixar atrás.

A primeira coisa que deixamos para trás é o que se chama de MUNDANISMO. Deixamos atrás a multidão, o modo de viver do mundo. . . O modo cristão de viver não goza de popularidade. . . Você não pode levar a multidão em sua companhia na carreira da vida cristã; esta, inevitavelmente, requer rompimento.

Studies in the Sermon on the Mount, ii, p. 220,1.

quinta-feira, julho 01, 2010

Porquê a pregação está em decadência ?

Porquê a pregação está em decadência ?
Martin Lloyd Jones

Um Panorama Histórico

Qual a causa disso ?
Bem, penso que posso analisá-la de maneira bem precisa no que se refere à Grã-Bretanha, e creio que isso vale em parte aqui. Na Grã-Bretanha estou certo de que um dos fatores mais importantes foi que tivemos um primeiro ministro cujo nome era Stanley Baldwin. Assumiu as suas funções em 1924. Ele seguiu certos homens do tipo de Lloyd George, que fora primeiro ministro durante a Primeira Guerra Mundial e que tivera em seu gabinete pessoas como Winston Churchill e o lorde Birkenhead. Todos esses homens eram bons para discursar, eram grandes oradores; e Stanley Baldwin não era. Era um político muito inteligente e percebeu que a única coisa que um homem como ele poderia fazer era dizer algo mais ou menos assim: pois bem, eu não sou um grande homem, não sou um grande orador, sou apenas um inglês comum, franco e simples. Passou a sugerir que a oratória é perigosa e que, se um homem é um bom orador, não se pode confiar nele. O único homem em quem se pode confiar é o homem tranqüilo, simples, que não pode proferir uma oração grandiosa mas que pode oferecer uma prosa amigável, e nesse você pode confiar.

Sem nenhuma dúvida, essa idéia penetrou toda a esfera da pregação. Tenho observado o desenvolvimento de certa desconfiança da pregação.

sexta-feira, junho 25, 2010

Ignorância Pastoral não é novidade !

- By J. I. Packer  -
A ignorância dos clérigos nos meados do século XVI pode ser aquilatada através dos registros do pastor Hooper, sobre as condições de sua congregação, no ano de 1551. Aos seus clérigos foram feitas as seguintes perguntas:

1 Quantos são os mandamentos?
2 Onde são encontrados?
3 Repita-os.
4 Quais são os artigos que tratam da fé cristã?
5 Repita-os.
6 Prove-os pelas Escrituras.
7 Recite a oração do Pai Nosso.
8 Como você sabe que ela é a oração do Senhor?
9 Onde ela se encontra?

Dentre os trezentos e onze homens examinados, apenas cinqüenta puderam responder essas perguntas, e dezenove deles mostraram-se "medíocres". Dez não conheciam a oração do Pai Nosso, e oito não conseguiram responder a nenhuma das perguntas.

sábado, junho 19, 2010

Entendimento Espiritual - Richard Baxter


Para que a obra da sua conversão não venha a ser abortada, isto no caso em que pareça haver começado ou estar se desenvolvendo de modo esperançoso, o meu conselho é: Esforce-se para obter um correto entendimento da natureza do Cristianismo, e do significado do evangelho que visa salvá-lo.

Você é por natureza escravo do Príncipe das Trevas, vive em um estado de trevas, pratica as obras das trevas, e precipita-se para a mais completa escuridão; e é a luz do conhecimento salvífico que pode recuperá-lo, ou não haverá recuperação. Deus é 'o Deus de luz, e habita na luz'; Cristo é 'a luz do mundo'; seus ministros são também os ' luzeiros do mundo ' , desde que se submetam a Ele; e são enviados para ' retirarem os homens das trevas para a luz, pelo evangelho que é a luz para os nossos pés; e isto para fazer-nos filhos da luz, para que não mais pratiquemos as obras das trevas, mas possamos ser participantes da herança dos santos na luz '. Acredite nisto, as trevas não são o caminho para a glória celestial.

A sua doença é a ignorância espiritual, e o conhecimento espiritual precisa ser a sua cura. Eu sei que os ignorantes espirituais têm muitas desculpas, e que pensam que o caso deles não é assim tão ruim como queremos sugerir, achando que não há tal necessidade de conhecimento, e que um homem pode ser salvo sem ele. Mas eles pensam assim, exatamente porque carecem deste conhecimento, que lhes mostraria a miséria da sua ignorância e o valor do conhecimento. Não diz a Escritura claramente que, 'se o evangelho está encoberto, é para os que se perdem que está, nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus' ( 2 Cor 4:3,4) ?

sábado, junho 12, 2010

Entusiasmo no Louvor não é Sinal de Conversão

–  By Jonathan Edwards -

Muitos parecem pensar que se as pessoas forem entusiásticas no louvor a Deus, é um sinal certo de conversão. Examinei abreviadamente isso antes. Mais quero fazê-lo mais detalhadamente aqui, devido à grande ênfase colocada por alguns no louvor como sinal de vida espiritual.

Nenhum cristão condenará outra pessoa pelo entusiasmo no louvor a Deus. Não obstante, devemos reconhecer que tal entusiasmo não é sinal certo de conversão. Como já vimos, satanás pode imitar todos os tipos de emoções espirituais. E as Escrituras nos dão muitos exemplos de pessoas não salvas dando louvor a Deus e a Cristo entusiasticamente.

Humildade precede a honra

A humildade precede a honra. (Pv 15.33)
- By Charles H. Spurgeon -

A humildade de alma sempre traz uma bênção consigo. Se esvaziarmos nosso coração do egoísmo, Deus nos encherá com o seu amor. Aquele que deseja comunhão íntima com Cristo precisa recordar-se desta palavra do Senhor: "O homem para quem olharei é este: o aflito e abatido de espírito e que treme da minha palavra" (Isaías 66.2). A mais doce comunhão com os céus é desfrutada somente por almas humildes. Deus não rejeitará qualquer bênção a espíritos completamente humildes. "Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus" (Mateus 5.3). Todo o tesouro de Deus será dado à alma que é humilde o suficiente para recebê-lo, sem tornar-se orgulhosa por causa disso.

Desejos Inflamados por Deus

–  By Richard Baxter (1615 - 1691) -
O cristão vivo é o consagrado. É nossa distância do céu que nos torna tão insípidos: é o fim que vivifica todos os meios, e mais vigoroso será nosso movimento, se observamos esse fim com freqüência e de forma clara. Como os homens trabalham de forma incansável e se aventuram sem medo, quando pensam em um prêmio proveitoso! Como o soldado arrisca sua vida, e o marinheiro enfrenta tormentas e ondas; como eles, cheios de alegria, circundam a terra e o mar, e nenhuma dificuldade os intimida, quando pensam em um tesouro incerto e perecível! Quanta vida seria acrescentada nos esforços do cristão se ele antecipasse com freqüência esse tesouro eterno! Corremos devagar, e esforçamo-nos de forma indolente, porque nos importamos muito pouco com o prêmio!

sexta-feira, junho 11, 2010

Sobre VENCEDORES & PERDEDORES

Começou na sexta - feira, 11 . Junho . 2010,  na África do Sul, o Campeonato Mundial de Futebol. E eu confesso que não entendo nada de futebol. Nem de política. Também, a “esta altura do campeonato” (da vida), não me adiantaria muito querer entender alguma coisa sobre estes dois temas. E sabe de uma coisa ? Eu não quero “querer entender”. Não está nos meus planos “ainda virar um expert”. Nem me imagino discutindo acaloradamente sobre futebol ou política, com qualquer pessoa, em qualquer lugar.

As 32 seleções participantes vão passar por uma grande peneira. As duas seleções que ultrapassarem todos os obstáculos são as que vão disputar O GRANDE JOGO FINAL.

Estas seleções são as melhores entre as melhores. Mas só uma delas vai levar a cobiçada Taça de Campeão Mundial !

Cada seleção tem uma chance em 32, de ser a campeã. Não importa se tem os melhores jogadores e os melhores treinadores do mundo. Todas as equipes têm o mesmo número de oportunidades: uma em cada trinta e duas(32). Como estes jogadores aproveitarão as oportunidades ? Isto é o que resta saber !

quarta-feira, maio 05, 2010

OS PROFETAS - R.C.Sproul

Os profetas do Antigo Testamento foram pessoas que receberam um chamado único de Deus e que receberam suas mensagens de maneira sobrenatural, as quais deveriam transmitir a nós. Deus transmitiu sua palavra através dos lábios e dos escritos dos profetas.(Deuteronômio 18.15-22; Isaías 6; Joel 2.28-32; Mateus 7.15-20; Efésios 4.11-16).

A profecia envolvia predição do futuro (preanunciar) e proclamação e exortação atuais da palavra de Deus (anunciar em seguida). Os profetas eram revestidos de tal maneira pelo Espírito Santo que suas palavras eram palavras de Deus. Por isso as mensagens proféticas geralmente eram prefaciadas com a frase: "Assim diz o Senhor".

Os profetas foram os reformadores da religião de Israel. Chamavam o povo de volta à adoração pura e à obediência a Deus. Embora os profetas fossem críticos quanto à maneira como a adoração dos israelitas freqüentemente se degenerava num mero ritual, eles não condenavam nem atacavam as formas originais de adoração que Deus havia dado a seu povo.

Os profetas não eram revolucionários nem anarquistas religiosos. Sua tarefa era purificar, não destruir; reformar, não substituir o culto de Israel.Os profetas também se preocupavam profundamente com a justiça social e a integridade. Eram a consciência de Israel, chamando o povo ao arrependi mento. Também funcionavam como promotores legais da aliança de Deus. Eles "intimavam" a nação por ter violado os termos da aliança com Deus. Os profetas falavam com autoridade divina porque Deus os chamava especificamente para serem seus porta-vozes. Não herdavam sua função, nem eram eleitos para exercê-la. O chamado imediato de Deus, juntamente com o poder do Espírito Santo, constituíam as credenciais dos profetas.

Os falsos profetas foram um problema constante em Israel.  Ao invés de proferir os oráculos de Deus, transmitiam seus próprios sonhos e opiniões — dizendo ao povo somente o que este queria ouvir. Os verdadeiros profetas freqüentemente eram severamente perseguidos e rejeitados por seus contemporâneos por se recusarem a comprometer a proclamação de todo o conselho de Deus.

Geralmente, os livros dos profetas são divididos em "profetas maiores" e "profetas menores". Essa distinção não se refere à maior ou menor importância dos profetas, mas ao volume dos seus escritos canônicos. Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel são chamados de profetas maiores, porque escreveram mais, enquanto que Oséias, Joel, Amos, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias são referidos como os profetas menores, porque seus livros são bem menores.Os apóstolos do Novo Testamento possuíam muitas das características dos profetas do Antigo Testamento.

Os apóstolos e os profetas juntos são considerados como o fundamento da igreja.

SUMÁRIO
1. Os profetas do Antigo Testamento foram agentes da revelação divina.
2. A profecia envolvia pré-anúncio e anúncio.
3. Os profetas foram os reformadores do culto e da vida dos israelitas.
4. Somente aqueles chamados diretamente por Deus tinham autoridade para serem seus profetas.
5. Os falsos profetas expressavam suas próprias opiniões e falavam o que o povo queria ouvir.
6. Profetas maiores e menores são designados assim de acordo com o volume e não pela importância dos seus escritos.