sexta-feira, setembro 03, 2010

Arrependei-vos !

Arrependei-vos !
M.  Lloyd  Jones

E o que João Batista pregava ?
Pregava "o batismo de arrependimento, para o perdão dos pecados" (Lucas 3:3). Essa era a sua grande mensagem. Ele chamava o povo ao arre­pendimento. Ele estava preparando o caminho para o grande Libertador, dizia ele, para o grande Messias que estava para vir. E advertia o povo de que este era o mais momentoso evento que já acontecera na história humana. Ele dizia: "Já está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não dá bom fruto, corta-se e lança-se no fogo" (Lucas 3:9). Ele dizia que não adiantava os seus ouvintes dizerem que eram filhos de Abraão, isso não os ajudaria em nada. E dizia: "Destas pedras pode Deus suscitar filhos a Abraão" (Lucas 3.8).

A mensagem de João era um grande chamado ao arrependimento, em preparo para o Messias que vinha.E depois nos é dito que, subitamente, o nosso Senhor apareceu, e começou a pregar.

O que Ele pregava ?
Bem, eis o que leio no início do Evangelho de Marcos: "E depois que João foi entregue à prisão, veio Jesus para a Galiléia, pregando o evangelho do reino de Deus, e dizendo: o tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo. Arrependei-vos, e crede no evangelho" (Marcos 1:14,15). Aí está, da Sua própria boca. E continuou a pregar, constantemente, esta mensagem.

Vejam aquela extraordinária parábola sobre o arrependimento em Mateus, capítulo 21, que o nosso Senhor pregou aos fariseus e escribas. Todo o seu objetivo é a necessidade de arrependimento. Praticamente Ele disse: "Vocês não se arrependeram. Os publicanos e os pecadores se arrependeram e entraram no Reino, mas vocês, tendo ouvido a mensagem, não se arrependeram". É isso que os mantém fora do Reino.

A porta de entrada ao reino de Deus, o meio de se tornar cristão, é o arrependimento. É o primeiro passo. Por essa razão o nosso Senhor continuou a dar ênfase a isto. Então, depois da Sua partida e ascensão, ocorreu o grande evento do dia de Pentecoste, quando, como tinha prometido, o nosso Senhor enviou o Espírito Santo sobre a Igreja e os discípulos foram cheios do Espírito. Então começaram a falar e se juntou uma multidão, e Pedro, cheio do Espírito, levantou-se e dirigiu-se à multidão. Que foi que ele lhes pregou? Mostrou-lhes que, em sua ignorância, tinham crucificado o Filho de Deus, e lemos o seguinte:E ouvindo eles isto, compungiram-se em seu coração, e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: que faremos, varões irmãos? E disse-lhes Pedro: arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo (Atos 2:37,38).Foi a mesma mensagem: a mensagem de João o Batista, a mensagem do Senhor Jesus Cristo, e agora a mensagem do apóstolo Pedro, o primeiro porta-voz da Igreja Cristã. "Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado..."; "Arrependei-vos, e crede no evangelho".E vocês têm a mesma mensagem percorrendo todo o Novo Testamento. O apóstolo Paulo, quando se despediu dos presbíteros da igreja de Éfeso, lembrou-lhes que dia e noite, em público e em privado, não cessara de lhes pregar - o quê ? - "o arrependimento para com Deus e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo' (Atos 20:215 ARA).

Ora, esta é, claramente, a grande mensagem da Igreja Cristã; o arrependimento é essencial, antes de alguém poder tornar-se cristão. Você pode ouvir o evangelho, mas ouvi-lo não faz de você um cristão. Você não pode ser cristão sem arrepender-se. E isso é sempre salientado em primeiríssimo lugar.

Não nos deixes cair em tentação

Não nos deixes cair em tentação
M.  LLoyd   Jones
«Não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal». Esta é a última petição (do «Pai Nosso»), e eis o que ela significa: Estamos pedindo que nunca sejamos levados a situações em que corramos o risco de ser tentados por Satanás. Não significa que estamos ditando a Deus o que Ele deverá fazer ou não. Deus prova os Seus filhos, e jamais tenhamos a presunção de dizer a Deus o que Ele deve ou não fazer. . . Mas, embora não signifique ditar coisas a Deus, significa, sim, que podemos pedir-Lhe que, se isso estiver de acordo com a Sua santa vontade, não nos deixe chegar a situações nas quais venhamos a ser presa fácil da tentação, facilmente sujeitos a cair

Isso é o que nosso Senhor quis dizer quando declarou a Seus discípulos, no fim: «Vigiai e orai, para que não entreis em tentação». Há situações perigosas para você; vigie e ore, sempre alerta para que não venha a cair em tentação. E a par disso há este outro aspecto da petição: oramos suplicando que sejamos libertos do mal. . . Precisamos ser libertos de todo mal. Esta é uma grande petição, petição amplamente compreensiva.

Por que havemos de rogar que sejamos guardados do mal ? A grande e maravilhosa razão é que nunca seja rompido o nosso companheirismo e a nossa comunhão com Deus. . . Nosso desejo supremo deve ser o de estar de bem com Deus, conhecê-lO e manter incessante companheirismo e comunhão com Ele. É por isso que fazemos esta oração, para que nada se interponha entre nós e o brilho, a fulgência e a glória do nosso Pai que está nos céus. «Não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal».

Studies in the Sermon on the Mount, ii, p. 76,7.

terça-feira, agosto 31, 2010

Dois domínios diferentes – M. Lloyd-Jones

Dois domínios diferentes
- M. Lloyd-Jones -
O cristão e o não-cristão pertencem a dois domínios inteiramente diversos. . . a primeira coisa que você deve entender sobre si mesmo é que você pertence a um reino diferente. Você não difere apenas na essência; você vive, em dois mundos que diferem de modo absoluto entre si. Você está neste mundo; não pertence a ele, porém. . . você é cidadão doutro reino. . .

Que se quer dizer com este reino dos céus?. . . Significa, em sua essência, o governo de Cristo, ou a esfera e domínio em que Ele reina. . . Muitas vezes, quando Ele estava aqui, nos dias de Sua carne, nosso Senhor disse que o reino dos céus já estava presente. Onde quer que Ele estivesse presente e exercesse autoridade, ali estava o reino dos céus. Você recorda como, em certa ocasião, quando O acusaram de expulsar demônios pelo poder de Belzebu, Ele demonstrou-Ihes a completa loucura disso, e prosseguiu, dizendo: «Se, porém, eu expulso os demônios pelo Espírito de Deus, certamente é chegado o reino de Deus sobre vós» (Mateus 12.28). Eis o reino de Deus. Sua autoridade e Seu reinado estavam presentes na prática. Eis, então, Sua frase, quando disse aos fariseus:«O reino de Deus está dentro em vós», ou, «o reino de Deus está entre vós».

Era como se dissesse: «Ele está-se manifestando no meio de vós. Não digais: olhe para cá, ou: olhe para lá. Despojai-vos dessa noção materialista. Aqui estou entre vós; estou realizando obras. O reino está aqui». Onde quer que o reino de Cristo esteja sendo manifestado, ali está o reino de Deus. E quando Ele enviou Seus discípulos para pregar, disse-lhes que falassem às cidades que não os recebessem: «Não obstante, sabei que está próximo o reino de Deus» (Lucas 10.11).

Studies in the Sermon on the Mount, i, p. 39,40

Um Evangelho honesto – M. Lloyd-Jones

UM  EVANGELHO  HONESTO 
- M. Lloyd-Jones  - 
(A vida cristã) não é vida que no início seja lindamente ampla e que, à medida em que você prossegue, vá ficando cada vez mais estreita. Não! Já desde o portal, no próprio caminho de entrada a essa vida, há vereda estreita. . .

Muitíssimas vezes tem-se a impressão de que ser cristão é, afinal, bem pouco diferente de não ser cristão, de que você não precisa pensar no cristianismo como uma vida estreita, mas como algo atraente, maravilhoso e emocionante, e de que entramos ali formando multidões. Isso não está de acordo com nosso Senhor.

O Evangelho de Jesus Cristo é por demais honesto, para ficar dirigindo convites dessa natureza às pessoas. Ele não tenta persuadir-nos de que se trata de algo fácil, sendo que só mais tarde começaremos a descobrir quão difícil é realmente. O Evangelho de Jesus Cristo apresenta-se franca e incondicionalmente como algo que começa com uma entrada estreita, com uma porta estreita. . .

É-nos dito logo no início deste caminho da vida, antes de começarmos a marcha, que se queremos percorrê-lo há certas coisas que terão de ser deixadas de lado, para trás de nós. Não há espaço para elas passarem, porque temos que começar entrando por uma porta estreita e apertada. Gosto de imaginá-la como um torniquete. A porta é bem parecida com um torniquete que admite uma pessoa por vez, e somente uma. E é tão estreita que há certas coisas que você simplesmente não pode levar com você. Desde o começo o caminho é exclusivo, e importa que examinemos o Sermão da Montanha para vermos algumas coisas que é preciso deixar atrás.

A primeira coisa que deixamos para trás é o que se chama de MUNDANISMO. Deixamos atrás a multidão, o modo de viver do mundo. . . O modo cristão de viver não goza de popularidade. . . Você não pode levar a multidão em sua companhia na carreira da vida cristã; esta, inevitavelmente, requer rompimento.

Studies in the Sermon on the Mount, ii, p. 220,1.